O circuito terminou onde a sala estava mais cheia.
No sábado, 31 de outubro, a tenda do HackatAgro na Expofeira de Itaqui recebeu 49 dos 65 inscritos: presença de 75%, a maior das três cidades do circuito HackatAgro × Sebrae RS (Alegrete teve 62%; Dom Pedrito, 55%). Foram 30 participantes do ensino superior e 19 do técnico, em 11 equipes, das 8h às 18h, em cima de quatro desafios: Energia a partir da Biomassa, Controle e Monitoramento de Javalis, Quanto Rende este Hectare? e Vender na Hora Certa.
O caminhão que volta vazio
Venceu a BioHub, com uma ideia de logística. A equipe partiu da conta que trava a biomassa como fonte de energia: segundo o pitch, de 40% a 60% do custo da biomassa é frete, e 38% dos caminhões de frete voltam vazios (números que a equipe atribui a CNT, Embrapa e EPE). A proposta cruza as duas pontas num marketplace: o produtor cadastra o resíduo, com volume e local; o sistema encontra o caminhão que passaria vazio por aquela rota e agenda a entrega na caldeira da indústria. Quem paga é a indústria, com uma taxa por frete e uma assinatura que inclui o relatório de pegada de carbono. O motorista usa de graça. O primeiro teste está desenhado: 5 motoristas e 2 geradores de biomassa num polo agroindustrial, medindo quantos aceitam o pequeno desvio.
O javali no radar
O segundo e o terceiro lugares atacaram o mesmo inimigo: os invasores do Pampa. A Pampa Alerta propôs um aplicativo de alerta e mapa de avistamentos de javali e capim-annoni, que começa do jeito mais simples possível, num grupo de WhatsApp com os sindicatos rurais. A Defensores do Pampa, com o Vigia Pampa, foi pelo mesmo caminho com outro desenho: o produtor fotografa o invasor, marca o local e acompanha a evolução dos focos no mapa. O teste previsto é com 5 produtores de Itaqui e região; o reconhecimento das espécies por inteligência artificial fica para os 90 dias seguintes.
Nas duas ideias, quem está no campo vira sentinela, e o avistamento que hoje se perde na conversa de galpão vira dado no mapa.
A pergunta que mais atraiu
Pelo menos quatro das 11 equipes escolheram o mesmo desafio, "Quanto rende este hectare?". Safra no Bolso, Meu Hectare, OrientAgro e Safra Certa propuseram, cada uma a seu modo, registrar receitas e despesas por atividade e por talhão, mesmo sem internet, para o produtor saber quanto sobra no fim da safra. Nenhuma chegou ao pódio, mas a escolha diz muito: não saber a margem é a dor mais reconhecida por quem vive perto da lavoura. A CorteCerto Arroz tratou de água e energia no arroz irrigado, com decisão de manejo que funciona sem internet, e a EcoEsterco propôs biofertilizante a partir de dejetos animais.
Nenhuma ideia saiu pronta, e nem era para sair. O formato obriga a começar pelo problema, testar pequeno e mostrar, em três minutos de pitch, o que ainda precisa ser validado.
O circuito em números
Com Alegrete (07/10), Dom Pedrito (16/10) e Itaqui, o circuito 2026 somou 250 inscritos, 156 jovens e 33 equipes, 83 do ensino superior e 73 do técnico, sempre com quatro problemas reais do campo da região. A próxima edição é em 2027. Para receber a chamada, e toda semana o que se move na fronteira do agro, assine o Radar.
Quem fez
Realização do Sebrae RS e do HackatAgro, com apoio da Unipampa e do Sindicato Rural de Itaqui e Maçambará. O resumo oficial do dia está no one-pager do Sebrae RS e do HackatAgro.
O resultado de Itaqui →Realização: Sebrae RS e HackatAgro · Apoio: Unipampa e Sindicato Rural de Itaqui e Maçambará · uma iniciativa CONEX