Quatro desafios, os mesmos nas três praças, para que os resultados de Alegrete, Dom Pedrito e Itaqui possam ser comparados entre si. Os desafios são para todos os produtores da Campanha e da Fronteira Oeste: pequenos, médios e grandes, com um olhar especial para quem ainda tem menos acesso à tecnologia.
Desafio 1Bioeconomia & energiaProposto por Sebrae RS, Regional Campanha e Fronteira Oeste
A energia que já está na porteira
Como podemos transformar a biomassa que a propriedade já gera (casca e palha de arroz, esterco, resto de lavoura) em energia mais barata ou renda nova para o produtor?
R$ 1.124/haé o que custa só a energia elétrica da irrigação do arroz, 7% do custo da lavoura.Emater/RS, safra 2021/22
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A situação
Na safra, a bomba de irrigação passa meses ligada e a conta de luz chega junto com a do adubo. Ao lado, a palha fica na lavoura, o esterco se acumula no mangueirão e, no engenho, a casca sai de caminhão como resíduo.
Por que o problema existe
- As usinas de biomassa são feitas para grande escala; pouco volume não fecha a conta.
- O produtor não sabe quanto resíduo gera nem quanto ele vale.
- Ninguém junta o volume de vários vizinhos.
Quanto custa
- Energia da irrigação: 7% do custo do arroz, R$ 1.124/ha. A água soma mais 9%, R$ 1.384/ha.
- A casca é cerca de 20% do peso do arroz: perto de 1,5 milhão de toneladas por ano no RS.
Emater/RS, safra 2021/22 · estudo publicado na Redalyc (volume de casca estimado sobre a safra gaúcha).
Quem sofre
O orizicultor que paga a luz da bomba, o pecuarista com esterco sem destino, o engenho pequeno com casca parada no pátio.
Uma boa resposta…
- baixa a conta de energia ou cria uma renda nova com o resíduo;
- funciona também em pequena escala, numa propriedade ou num grupo de vizinhos;
- mostra quem paga, quem opera e em quanto tempo se paga.
Desafio 2Clima & carbonoProposto por Sebrae RS, Regional Campanha e Fronteira Oeste
Invasores do Pampa
Como podemos ajudar o pecuarista a descobrir cedo, medir e controlar, junto com os vizinhos, o avanço do capim-annoni e do javali antes que tomem o campo, a lavoura e o rebanho?
6.255 ovinosperdidos para o javali por uma única estância de Sant'Ana do Livramento, de 2010 a 2026. Prejuízo: R$ 3,1 milhões.Jornal A Plateia / Grupo Sepé, 2026
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A situação
O capim-annoni chega pela beira da estrada, no pelo do gado e na roda da máquina. Quando o produtor percebe, ele já tomou a coxilha, e o gado não o come. À noite, o javali revira a lavoura e ataca os cordeiros. Cada vizinho briga sozinho do seu lado da cerca.
Por que o problema existe
- A invasão só é notada quando já se espalhou.
- O controle é caro e feito no olho, sem saber onde gastar primeiro.
- O problema é de todos, mas cada um age sozinho.
Quanto custa
- O capim-annoni ocupa cerca de 20% dos campos do RS, 3,1 milhões de hectares. Estimativas mais recentes falam em 1 a 2 milhões de hectares no Pampa.
- Uma estância perdeu 6.255 ovinos para o javali em 16 anos (R$ 3,1 milhões).
Medeiros et al. 2004, na revista Pesquisa Agropecuária Gaúcha · A Plateia / Grupo Sepé, 2026.
Quem sofre
O pecuarista, o criador de ovelhas, o campeiro, o sindicato rural.
Uma boa resposta…
- faz a invasão ser vista antes de se espalhar;
- diz onde gastar primeiro o dinheiro do controle;
- faz os vizinhos agirem juntos;
- custa menos do que o prejuízo que evita.
Desafio 3Novas cadeiasProposto por HackatAgro
Vender na hora certa
Como podemos ajudar o produtor a escolher quando e como vender o arroz e o gado, para que a falta de dinheiro deixe de decidir por ele?
R$ 15 mil/haé o custo para produzir um hectare de arroz no RS. Vender na pior hora come a margem desse investimento.Emater/RS, safra 2021/22
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A situação
O arroz é colhido em março e abril, quando todo mundo colhe, o preço está baixo e as contas da safra vencem. Sem secador nem armazém, o produtor entrega o grão a quem adiantou o dinheiro, pelo preço do dia. Com o gado é igual: vende quando falta caixa.
Por que o problema existe
- Faltam secador e armazém para segurar a produção.
- O adiantamento de quem compra amarra a venda.
- Não há planejamento de caixa nem visão de preço; o frete até o mercado é longo.
Quanto custa
- Produzir um hectare de arroz custa cerca de R$ 15 mil.
- Quem vende na colheita recebe o preço mais baixo do ano sobre esse investimento.
Emater/RS, safra 2021/22 · séries de preço: Cepea e Irga.
Quem sofre
O orizicultor, o pecuarista que vende por necessidade, o engenho e a cooperativa que compram.
Uma boa resposta…
- dá ao produtor opções de quando e como vender;
- alivia a pressão do caixa na colheita;
- mostra, em reais por saca ou por cabeça, quanto ele deixa de perder.
Desafio 4IA no campo · ConectividadeProposto por HackatAgro
Quanto rende este hectare?
Como podemos dar ao produtor, com o celular e o sinal que ele tem, a resposta de quanto custa e quanto rende cada área e cada lote de animais, para decidir com números e não no olho?
31%do custo do arroz está em só três itens: adubo (15%), água (9%) e energia (7%). Cada decisão no olho mexe nesse dinheiro.Emater/RS, safra 2021/22
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A situação
O produtor sabe de cor quanto colheu, mas não quanto gastou naquele talhão. Irrigar, plantar arroz ou soja e tratar o rebanho são decisões de experiência. Os números estão num caderno, na memória, no computador da máquina e na nota da revenda. Quando o banco pede números, eles não existem.
Por que o problema existe
- Registrar dá trabalho e não traz retorno visível.
- Os dados estão espalhados em lugares que não conversam.
- O sinal no campo é fraco, e o agrônomo e o veterinário estão longe.
Quanto custa
- Arroz a cerca de R$ 15 mil/ha; adubo, água e energia somam 31% desse custo.
- Sem histórico, não há crédito mais barato nem sucessão organizada.
Emater/RS, safra 2021/22.
Quem sofre
O produtor, o filho que está assumindo a propriedade, o técnico que atende muitos produtores, o gerente do crédito.
Uma boa resposta…
- faz o produtor saber custo e resultado de uma área ou lote sem aumentar o trabalho dele;
- funciona com sinal fraco;
- muda pelo menos uma decisão real da safra.
Valem para os quatro: a resposta precisa funcionar na realidade da região (sinal de celular fraco no campo, custo compatível, pouca mão de obra); a IA pode ser usada, mas não é obrigatória.